Fruitvale Station (Fruitvale Station)
– 2013
Nota: 4/5
É impossível, ao assistir os minutos iniciais de Fruitvale Station onde são mostradas
filmagens reais feitas por um celular do assassinato de um jovem negro nos
Estados Unidos, não lembrar um caso recente brasileiro onde um jovem toma um
tiro no meio da rua, também capturado pelas lentes de um celular. Ambas as
ações policiais. Ainda que guardadas as devidas diferenças, os dois casos são
semelhantes em duas coisas: despreparo da polícia e a discriminação racial.
Outro fato curioso é as duas situações ocorreram nos estados mais ricos de seus
respectivos países, mostrando que a discriminação racial ainda é forte em todos
os lugares. Enfim, não quero muito me aprofundar muito em questões sociais,
pois isso é pisar em casca de ovo.
O filme mostra as últimas 24 horas de vida de Oscar Grant,
interpretado de forma poderosa por Michael B. Jordan. Adotando uma abordagem
quase documental, abusando de uma câmera nervosa, afobada e com quadros
fechados, o filme é eficiente em criar o clima de tragédia anunciada. Aqui,
porém reside uma ambiguidade narrativa, pois se de um lado gera um clima de
tensão constante no filme, mesmo em cenas alegres, por outro lado acaba por
criar uma áurea de mártir envolta de Oscar. Felizmente o roteiro compensa este
problema mostrando a rotina de um homem falho, um jovem sem grandes
perspectivas e a margem da sociedade (realmente se trata de um filme onde é
impossível não esbarrar em questões sociais).
A maior força de Fruitvale
Station está em seu elenco. Desde o já supracitado Michael B. Jordan,
Melonie Diaz que interpreta a namorada e mãe da filha de Oscar, Octavia Spencer
e até mesmo os personagens “menos importantes”. O diretor ainda emprega um
elemento narrativo interessante ao colocar em cena as telas do celular de
Oscar, aparelho que no fim seria o responsável pelo registro da barbárie que se
tornaria o ato final do filme.
Por fim, durante o ato final, a truculência policial só não
choca mais por que o desfecho já era conhecido desde o inicio da projeção. E os
gritos de desespero de Oscar dizendo aos policiais “eu tenho uma filha” ao
perceber que o pior havia ocorrido constituem uma imagem emocionante, forte e
emblemática. Um filme que infelizmente deve permanecer atual por muito tempo.
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