sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Crítica: Fruitvale Station


Fruitvale Station (Fruitvale Station) – 2013

Nota: 4/5


É impossível, ao assistir os minutos iniciais de Fruitvale Station onde são mostradas filmagens reais feitas por um celular do assassinato de um jovem negro nos Estados Unidos, não lembrar um caso recente brasileiro onde um jovem toma um tiro no meio da rua, também capturado pelas lentes de um celular. Ambas as ações policiais. Ainda que guardadas as devidas diferenças, os dois casos são semelhantes em duas coisas: despreparo da polícia e a discriminação racial. Outro fato curioso é as duas situações ocorreram nos estados mais ricos de seus respectivos países, mostrando que a discriminação racial ainda é forte em todos os lugares. Enfim, não quero muito me aprofundar muito em questões sociais, pois isso é pisar em casca de ovo.

O filme mostra as últimas 24 horas de vida de Oscar Grant, interpretado de forma poderosa por Michael B. Jordan. Adotando uma abordagem quase documental, abusando de uma câmera nervosa, afobada e com quadros fechados, o filme é eficiente em criar o clima de tragédia anunciada. Aqui, porém reside uma ambiguidade narrativa, pois se de um lado gera um clima de tensão constante no filme, mesmo em cenas alegres, por outro lado acaba por criar uma áurea de mártir envolta de Oscar. Felizmente o roteiro compensa este problema mostrando a rotina de um homem falho, um jovem sem grandes perspectivas e a margem da sociedade (realmente se trata de um filme onde é impossível não esbarrar em questões sociais).

A maior força de Fruitvale Station está em seu elenco. Desde o já supracitado Michael B. Jordan, Melonie Diaz que interpreta a namorada e mãe da filha de Oscar, Octavia Spencer e até mesmo os personagens “menos importantes”. O diretor ainda emprega um elemento narrativo interessante ao colocar em cena as telas do celular de Oscar, aparelho que no fim seria o responsável pelo registro da barbárie que se tornaria o ato final do filme.

Por fim, durante o ato final, a truculência policial só não choca mais por que o desfecho já era conhecido desde o inicio da projeção. E os gritos de desespero de Oscar dizendo aos policiais “eu tenho uma filha” ao perceber que o pior havia ocorrido constituem uma imagem emocionante, forte e emblemática. Um filme que infelizmente deve permanecer atual por muito tempo.


Nenhum comentário:

Postar um comentário