segunda-feira, 26 de maio de 2014

X-Men: Dias de um futuro esquecido

(X-men: Days of a future past)

Nota: 5/5

Ano de lançamento: 2014

Direção: Bryan Singer

Elenco: Jennifer Lawrence, Evan Peters, Hugh Jackman, Nicholas Hoult, Ian McKellen, Michael Fassbender, Ellen Page, Peter Dinklage, James McAvoy, Patrick Stewart



X-Men: Dias de um futuro esquecido era, juntamente com Guardiões da Galáxia, Interstelar e Planeta dos Macacos: Confronto, um dos blockbusters que eu mais esperava neste ano. A ideia da união do elenco da trilogia original com o do X-Men: Primeira Classe era simplesmente maravilhosa, e que ao mesmo tempo criava certa preocupação em relação à capacidade do roteiro e da direção de controlar os diversos personagens, além de corrigir certas incongruências da história. Acrescentando à mistura ainda havia viagens no tempo, algo que instiga a curiosidade de todos, mas que pode ser extremamente traiçoeiro se não bem amarrada à história.

Começo dizendo que onde o filme poderia ter dado errado não deu, que é justamente no roteiro. Eficiente ao tratar e dar espaço aos diversos personagens, em suas diversas versões temporais, a história consegue criar um fluxo orgânico, e que em momento algum fica confusa ou corrida demais. Assim como todos os demais filmes do grupo o assunto preconceito volta como principal tema, o que não é algo ruim, já que apesar de abordado com frequência ao longo dos quase quinze anos da série, só mostra o quão relevante ainda é o assunto, e o quão pouco mudou em tanto tempo. E aqui fica impossível não traçar paralelos com os casos recentes e recorrentes de racismo, onde o sofrimento de muitos torna-se o lucro de poucos oportunistas.

Quanto à direção de Bryan Singer só me resta elogios, mostrando segurança nas cenas de ação, um timing cômico sensacional que entra de forma pontual e eficiente evitando a quebra de ritmo, criando uma atmosfera insalubre no futuro, e uma atmosférica nostálgica no passado, misturando o que há de melhor da trilogia original com o mais recente Primeira Classe. A montagem do filme também é algo surpreendente, construindo uma tensão crescente representada principalmente pelo aumento de alternância entre as realidades com a aproximação do clímax do filme. As cenas finais onde no tempo futuro os sentinelas descobrem o paradeiro dos mutantes e chegam as centenas, contando com um certo exagero para expressar o senso de urgência, ao mesmo tempo que em no passado as ações de certos mutantes estão prestes a destruir todo o esforço de salvação do futuro são extremamente bem amarradas. E é aqui que entra a eximia capacidade de Singer de dirigir as cenas que em momento algum perdem a geografia da ação, mesmo com os mais diversos e espalhafatosos poderes surgindo pela tela a todo instante.

O filme ainda conta com um elenco impecável. Hugh Jackman já é a própria personificação de mau humor e acidez do Wolverine. James McAvoy volta sensacional interpretando um professor Xavier jovem, tolo e marcado pelas recentes decepções da vida, contrastando com a experiência quase espiritual do professor interpretado por Patrick Stewart. A cena onde os dois professores, em suas diferentes versões, conversam é memorável. Já Michael Fassbender volta de forma espetacular a sua interpretação do fascinante e cruel Magneto, contrapondo ao cansado Magneto de Ian McKellen. Jennifer Lawrence volta a interpretar a Mística com competência.  Já a participação de Evan Peters como Mercúrio é curta, porém divertidíssima.


Mesmo evitando responder algumas perguntas críticas (como o professor Xavier recuperou seu corpo após ser destroçado em X-Men 3?) e mantendo algumas incongruências da história, X-Men: Dias de um futuro esquecido é um filme bem desenvolvido, com dezenas de atores e personagens carismáticos, com cenas de ação eficientes na medida certa, além de novamente levantar algumas discussões à assuntos importantes e relevantes.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Godzilla

Nota: 1/5

Nome original: Godzilla

Ano de lançamento: 2014

Direção: Gareth Edwards

Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olsen, Juliette Binoche, Bryan Cranston, Ken Watanabe


Se existe algo que podemos afirmar sobre Hollywood é que eles sabem vender o seu peixe. E confesso que já fui vítima diversas vezes do famoso hype, dos trailers sensacionalmente editados (deixo aqui o meu obrigado para a equipe responsável pelos trailers de O Homem de Aço por minha maior decepção cinematográfica recente), das campanhas virais. No caso de Godzilla não posso dizer que me senti totalmente prejudicado, que apesar de reconhecer a excelente campanha de marketing envolta do filme, dos trailers no mínimo instigantes, não era um filme que eu botava tanta fé.

            Mas, depois de ter comprado o ingresso (e pagado caro, já que infelizmente fui obrigado a ver a versão 3D do filme) resolvi entrar na sessão com a mente aberta, e já pedindo perdão pela previsível, porém inevitável comparação com o recente e excelente Círculo de Fogo, pois poderia estar diante de uma grata surpresa como foi o filme do Guillermo Del Toro. Infelizmente, a tragédia foi maior do que a esperada.

            O começo do filme se mostra até que interessante, com uma abertura que me remeteu ao clássico blockbuster Jurassic Park com o helicóptero voando por entre as montanhas. Sendo conduzido pelo carisma e competência de Bryan Cranston, o diretor acerta ao postergar a aparição do monstro-título, criando uma ansiedade e até mesmo uma curiosidade em relação ao bicho. Entretanto, quando o enfoque do filme passa para o filho do personagem de Cranston, o filme começa a sua descida ladeira abaixo. Repleto de clichês chatos e um roteiro horroroso até mesmo para um filme de catástrofe, já que em momento algum o filme cria empatia com o personagem de Aaron Taylor-Johnson, com sua atuação nula e sua excelente habilidade de estar sempre presente no epicentro da tragédia. É aqui que infelizmente terei de fazer a primeira comparação com o filme do Del Toro, já que mesmo se tratando de um filme de robôs e monstros gigantes, nunca tenta criar o clima de seriedade que esse Godzilla tenta transpor, erroneamente.

            Introduzindo dois rivais monstruosos para o “protagonista” Godzilla, já é esperado que a destruição seja gigantesca, e ela realmente é. Entretanto, neste que teria de ser o aspecto mais desenvolvido do filme, mostra-se também um dos mais ineficientes, já que a maioria das cenas são desenvolvidas a noite, ou em locais fechados e escuros, o que torna a ação confusa e entediante, algo que piora ainda mais na versão 3D, já que além de escurecer ainda mais a visão do telespectador, não acrescenta absolutamente nada a experiência do filme. Aqui caio na segunda comparação com Círculo de Fogo, que mesmo enfrentando as mesmas dificuldades técnicas que Godzilla (criaturas gigantes se enfrentando em cenários povoados, com diversos elementos e construções) acaba criando cenas de ação extremamente eficientes, que deixam claro a geografia da ação para os telespectadores, e que empolgam, mesmo em cenas noturnas ou submarinas.

           Além disso, numa tentativa de fazer o telespectador de importar com a família do protagonista, a ação é entrecortada com passagens da mulher e do filho do mesmo, e assim como seu personagem principal, nenhuma empatia beira surgir, e nem mesmo a boa atriz Elisabeth Olsen consegue salvar sua personagem da mediocridade.

Como sempre surgem os argumentos de que o filme se trata de um fan-service. Pode ser que o filme até agrade os fãs mais calorosos do Gojira, mas não posso tratar o filme desta forma, e tenho certeza de que se fosse fã gostaria que o filme além de agradar minha nostalgia quase infantil fosse capaz de me apresentar um espetáculo cinematográfico no mínimo digno de um filme razoável, algo que, por exemplo, a nova franquia Star Trek alcançou de forma extremamente competente. No fim, Godzilla é um filme excessivamente longo, tedioso e irritante em seus milhares de clichês.