X-Men: Dias de um futuro esquecido
(X-men: Days of a future past)
Nota: 5/5
Ano de lançamento: 2014
Direção: Bryan Singer
Elenco: Jennifer Lawrence, Evan Peters, Hugh Jackman, Nicholas Hoult, Ian
McKellen, Michael Fassbender, Ellen Page, Peter Dinklage, James McAvoy, Patrick
Stewart
X-Men: Dias de um futuro
esquecido era, juntamente com Guardiões da Galáxia, Interstelar e Planeta dos
Macacos: Confronto, um dos blockbusters que eu mais esperava neste ano. A ideia
da união do elenco da trilogia original com o do X-Men: Primeira Classe era
simplesmente maravilhosa, e que ao mesmo tempo criava certa preocupação em
relação à capacidade do roteiro e da direção de controlar os diversos
personagens, além de corrigir certas incongruências da história. Acrescentando
à mistura ainda havia viagens no tempo, algo que instiga a curiosidade de
todos, mas que pode ser extremamente traiçoeiro se não bem amarrada à história.
Começo dizendo que onde o filme
poderia ter dado errado não deu, que é justamente no roteiro. Eficiente ao
tratar e dar espaço aos diversos personagens, em suas diversas versões
temporais, a história consegue criar um fluxo orgânico, e que em momento algum
fica confusa ou corrida demais. Assim como todos os demais filmes do grupo o
assunto preconceito volta como principal tema, o que não é algo ruim, já que
apesar de abordado com frequência ao longo dos quase quinze anos da série, só
mostra o quão relevante ainda é o assunto, e o quão pouco mudou em tanto tempo.
E aqui fica impossível não traçar paralelos com os casos recentes e recorrentes
de racismo, onde o sofrimento de muitos torna-se o lucro de poucos
oportunistas.
Quanto à direção de Bryan Singer
só me resta elogios, mostrando segurança nas cenas de ação, um timing cômico
sensacional que entra de forma pontual e eficiente evitando a quebra de ritmo,
criando uma atmosfera insalubre no futuro, e uma atmosférica nostálgica no
passado, misturando o que há de melhor da trilogia original com o mais recente
Primeira Classe. A montagem do filme também é algo surpreendente, construindo
uma tensão crescente representada principalmente pelo aumento de alternância
entre as realidades com a aproximação do clímax do filme. As cenas finais onde
no tempo futuro os sentinelas descobrem o paradeiro dos mutantes e chegam as
centenas, contando com um certo exagero para expressar o senso de urgência, ao
mesmo tempo que em no passado as ações de certos mutantes estão prestes a
destruir todo o esforço de salvação do futuro são extremamente bem amarradas. E
é aqui que entra a eximia capacidade de Singer de dirigir as cenas que em
momento algum perdem a geografia da ação, mesmo com os mais diversos e
espalhafatosos poderes surgindo pela tela a todo instante.
O filme ainda conta com um
elenco impecável. Hugh Jackman já é a própria personificação de mau humor e
acidez do Wolverine. James McAvoy volta sensacional interpretando um professor
Xavier jovem, tolo e marcado pelas recentes decepções da vida, contrastando com
a experiência quase espiritual do professor interpretado por Patrick Stewart. A
cena onde os dois professores, em suas diferentes versões, conversam é
memorável. Já Michael Fassbender volta de forma espetacular a sua interpretação
do fascinante e cruel Magneto, contrapondo ao cansado Magneto de Ian McKellen.
Jennifer Lawrence volta a interpretar a Mística com competência. Já a participação de Evan Peters como
Mercúrio é curta, porém divertidíssima.
Mesmo evitando responder algumas
perguntas críticas (como o professor Xavier recuperou seu corpo após ser
destroçado em X-Men 3?) e mantendo algumas incongruências da história, X-Men:
Dias de um futuro esquecido é um filme bem desenvolvido, com dezenas de atores
e personagens carismáticos, com cenas de ação eficientes na medida certa, além
de novamente levantar algumas discussões à assuntos importantes e relevantes.