Maze Runner – Correr ou Morrer
(The Maze Runner – 2014)
Nota: 2,5/5
O óbvio e lucrativo ciclo hollywoodiano de filmes com temáticas
semelhantes já parece ter esgotado o atual tema (distopias juvenis, que teve
seu provável início em Jogos Vorazes dois anos atrás) antes mesmo de mostrar decadência
financeira. Estreando praticamente junto com outro filme da leva, O Doador de
Memórias, e pouco depois de Divergente, não muda em nada as estruturas
estabelecidas dos longas anteriores (ou simultâneos), acompanhando jovens
aparentemente normais “jogados” no meio de revoluções culturais/políticas.
Maze Runner (com mais um horrendo e explicativo subtítulo nacional
“Correr ou Morrer”) acompanha um grupo de jovens, todos homens, presos em um
labirinto gigante e povoado por criaturas assassinas, sem qualquer lembrança de
suas vidas antes do isolamento além de seus nomes. Aqui já cito o primeiro
problema estrutural e narrativo do filme, já que o filme aposta em soluções óbvias
para revelações da trama e personagens sem qualquer profundidade que estão ali
apenas para cumprir sua função de revelar mais um pedaço do quebra-cabeça.
Outro problema surge por conta do roteiro, já que Maze
Runner repete a premissa de Jogos Vorazes ao apresentar uma espécie de reality
show sádico (ou será que alguém assistiu ao filme não sabendo que alguém estava
observando os garotos), falha justamente onde o segundo acerta, em seus
personagens. Se Jogos Vorazes é eficiente em criar carisma para seus personagens,
contando com a ajuda ainda de atores como Jennifer Lawrence e Woody Harrelson,
Maze Runner falha em criar qualquer sinal de empatia com seus personagens
genéricos e até caricatos. E além dos personagens ainda falta um fundo
narrativo mais concreto que sustente a história.
Apesar das falhas estruturais e narrativas, o filme consegue
pelo menos criar alguns momentos de tensão capazes de prender o telespectador,
evitando uma catástrofe maior. E por mais falhas que o roteiro apresente
algumas revelações que são aos poucos jogadas e que acabam por despertar curiosidade,
o que não torna o filme uma travessia chata e entediante.
Para manter a faixa etária indicativa do filme, a história
acaba perdendo algumas discussões interessantes que poderiam surgir da situação
de confinamento de um bando de garotos por anos (algo que não sei se o livro
faz), sem perspectivas de liberdade. E por fim, o filme apresenta um desfecho
apressado, que tenta criar expectativa para os próximos filmes (será uma
trilogia), mas que apenas chateia, deixando muitas perguntas sem respostas e
ainda introduzindo mais perguntas.
Portanto, Maze Runner, apesar de não
apresentar uma experiência entediante, se mostra genérico e esquecível.
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