domingo, 28 de setembro de 2014

Crítica: Maze Runner

Maze Runner – Correr ou Morrer

(The Maze Runner – 2014)

Nota: 2,5/5



O óbvio e lucrativo ciclo hollywoodiano de filmes com temáticas semelhantes já parece ter esgotado o atual tema (distopias juvenis, que teve seu provável início em Jogos Vorazes dois anos atrás) antes mesmo de mostrar decadência financeira. Estreando praticamente junto com outro filme da leva, O Doador de Memórias, e pouco depois de Divergente, não muda em nada as estruturas estabelecidas dos longas anteriores (ou simultâneos), acompanhando jovens aparentemente normais “jogados” no meio de revoluções culturais/políticas.

Maze Runner (com mais um horrendo e explicativo subtítulo nacional “Correr ou Morrer”) acompanha um grupo de jovens, todos homens, presos em um labirinto gigante e povoado por criaturas assassinas, sem qualquer lembrança de suas vidas antes do isolamento além de seus nomes. Aqui já cito o primeiro problema estrutural e narrativo do filme, já que o filme aposta em soluções óbvias para revelações da trama e personagens sem qualquer profundidade que estão ali apenas para cumprir sua função de revelar mais um pedaço do quebra-cabeça.

Outro problema surge por conta do roteiro, já que Maze Runner repete a premissa de Jogos Vorazes ao apresentar uma espécie de reality show sádico (ou será que alguém assistiu ao filme não sabendo que alguém estava observando os garotos), falha justamente onde o segundo acerta, em seus personagens. Se Jogos Vorazes é eficiente em criar carisma para seus personagens, contando com a ajuda ainda de atores como Jennifer Lawrence e Woody Harrelson, Maze Runner falha em criar qualquer sinal de empatia com seus personagens genéricos e até caricatos. E além dos personagens ainda falta um fundo narrativo mais concreto que sustente a história.

Apesar das falhas estruturais e narrativas, o filme consegue pelo menos criar alguns momentos de tensão capazes de prender o telespectador, evitando uma catástrofe maior. E por mais falhas que o roteiro apresente algumas revelações que são aos poucos jogadas e que acabam por despertar curiosidade, o que não torna o filme uma travessia chata e entediante.

Para manter a faixa etária indicativa do filme, a história acaba perdendo algumas discussões interessantes que poderiam surgir da situação de confinamento de um bando de garotos por anos (algo que não sei se o livro faz), sem perspectivas de liberdade. E por fim, o filme apresenta um desfecho apressado, que tenta criar expectativa para os próximos filmes (será uma trilogia), mas que apenas chateia, deixando muitas perguntas sem respostas e ainda introduzindo mais perguntas. 
Portanto, Maze Runner, apesar de não apresentar uma experiência entediante, se mostra genérico e esquecível.


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